Folha informativa atualizada em janeiro de 2019

Principais informações

  • A poliomielite afeta principalmente crianças com menos de cinco anos de idade.
  • Uma em cada 200 infecções leva a uma paralisia irreversível (geralmente das pernas). Entre os acometidos, 5% a 10% morrem por paralisia dos músculos respiratórios.
  • Os casos de poliomielite diminuíram mais de 99% nos últimos anos: dos 350 mil casos estimados em 1988 para 29 casos notificados em 2018.
  • Enquanto houver uma criança infectada, crianças de todos os países correm o risco de contrair a poliomielite. Se a doença não for erradicada, podem ocorrer até 200 mil novos casos no mundo, a cada ano, dentro do período de uma década.
  • Na maioria dos países, os esforços mundiais ampliaram as capacidades para combater outras doenças infecciosas, construindo sistemas eficazes de vigilância e imunização.

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Sintomas
A poliomielite é uma doença altamente infecciosa causada por um vírus que invade o sistema nervoso e pode causar paralisia total em questão de horas. O vírus é transmitido de pessoa a pessoa por via fecal-oral ou, menos frequentemente, por um meio comum (água ou alimentos contaminados, por exemplo) e se multiplica no intestino. Os sintomas iniciais são febre, fadiga, dor de cabeça, vômitos, rigidez do pescoço e dor nos membros. Uma em cada 200 infecções causa paralisia irreversível (geralmente nas pernas). Entre os acometidos, 5% a 10% morrem quando há paralisia dos músculos respiratórios.

Pessoas em maior risco
A poliomielite afeta principalmente crianças menores de cinco anos de idade.

Prevenção
Não há cura para a poliomielite, apenas prevenção. A vacina contra a doença, administrada várias vezes, pode proteger a criança por toda a vida.

Número mundial de casos
Os casos de poliovírus selvagem diminuíram em mais de 99% desde 1988, quando foram estimados 350 mil casos em mais de 125 países endêmicos. Em 2018, foram notificados 29 casos. Em 2017, foram 22.

Das três cepas de poliovírus selvagem (tipos 1, 2 e 3), o poliovírus selvagem tipo 2 foi erradicado em 1999 e nenhum caso de poliovírus selvagem tipo 3 foi encontrado desde o último caso relatado na Nigéria em novembro de 2012.

Américas
O último caso de poliovírus selvagem nas Américas foi notificado em 1991, no Peru. A Região foi certificada livre do vírus pela OMS em 1994, um status que se mantém até hoje.

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Brasil
O Brasil recebeu o certificado de eliminação da pólio em 1994. No entanto, até que a doença seja erradicada no mundo (como ocorreu com a varíola), existe o risco de um país ou continente ter casos importados e o vírus voltar a circular em seu território. Para evitar isso, é  importante manter as taxas de cobertura vacinal altas e  fazer vigilância constante, entre outras medidas.

Resposta da OMS

Criação da Iniciativa de Erradicação Mundial da Poliomielite

Em 1988, a 41ª Assembleia Mundial da Saúde adotou uma resolução sobre a erradicação mundial da polio, que marcou a criação da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio – encabeçada por governos nacionais, OMS, Rotary International, Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e apoiada por parceiros-chave, como a Fundação Bill & Melinda Gates. O movimento ocorreu após a certificação da erradicação da varíola, em 1980, o progresso feito na década de 1980 em direção à eliminação do poliovírus nas Américas e o compromisso da Rotary International de angariar fundos para proteger dessa doença todas as crianças.

Progresso
Desde o lançamento da Iniciativa Mundial, o número de casos caiu em mais de 99%. Em 1994, a Região das Américas foi certificada como livre da pólio, seguida pela Região do Pacífico Ocidental em 2000 e pela Região da Europa em junho de 2002. Em 27 de março de 2014, a Região do Sudeste Asiático também foi certificada como livre da pólio. Isso significa que a transmissão do poliovírus selvagem foi interrompida neste bloco de 11 países que se estende da Indonésia à Índia. Essa conquista representa um salto significativo na erradicação global, com 80% da população mundial vivendo neste momento em regiões certificadas como livres da pólio.

Mais de 16 milhões de pessoas que hoje são capazes de andar teriam ficado paralisadas. Estima-se que 1,5 milhão de mortes na infância tenham sido evitadas, por meio da administração sistemática de vitamina A durante as atividades de imunização contra pólio.

Oportunidade e riscos: uma abordagem emergencial
As estratégias de erradicação da pólio são eficazes se aplicadas de forma integral. Isso é claramente demonstrado pelo sucesso da Índia na eliminação da pólio, em janeiro de 2011, em um lugar que poderia ser tecnicamente considerado o mais desafiador, e pela certificação de toda a Região do Sudeste Asiático da OMS como livre da pólio, em março de 2014.

A falha na implementação de abordagens estratégicas, no entanto, levará à transmissão contínua do vírus. A transmissão endêmica continua no Afeganistão, na Nigéria e no Paquistão. A falta de sucesso em interromper a pólio nessas áreas remanescentes pode resultar em até 200 mil novos casos a cada ano, dentro de 10 anos, no mundo.

Reconhecendo a oportunidade epidemiológica, mas também os riscos significativos de um possível fracasso, foi elaborado o plano estratégico integral para a erradicação da poliomielite e a fase final 2013-2019 (“Polio Eradication and Endgame Strategic Plan”), em consulta com os países afetados, as partes interessadas, doadores, parceiros e órgãos consultivos nacionais e internacionais. O novo plano foi apresentado em uma cúpula da Cúpula Mundial das Vacinas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em abril de 2013. É o primeiro plano destinado a erradicar simultaneamente todos os tipos de poliomielite – tanto por poliovírus selvagem quanto por poliovírus de origem vacinal.

Benefícios futuros da erradicação da pólio
Quando a pólio for erradicada, o mundo poderá celebrar a entrega de um grande bem público global que beneficiará todas as pessoas da mesma forma, não importando onde elas vivam. Já foi constatado, por modelos econômicos, que a erradicação da pólio economizaria pelo menos de US$ 40 bilhões a US$ 50 bilhões, principalmente em países de baixa renda. Mais importante ainda: o sucesso significará que nenhuma criança voltará a sofrer os terríveis efeitos da paralisia provocados pela poliomielite ao longo da vida.