BARBADOS 

INTRODUÇÃO

Barbados é o país mais oriental da Região do Caribe e sua área total é de 430Km2. Seu terreno é plano, com o Monte Hillaby sendo o ponto mais alto do país a cerca de 340m acima do nível do mar. Bridgetown é a capital de Barbados e o país é dividido em 11 distritos.

O país conquistou sua independência do Reino Unido em 1966 e é uma democracia parlamentar que integra a Comunidade Britânica. Seu Parlamento é bicameral; a Rainha, que é a Chefe de Estado, é representada pelo Governador Geral. As eleições ocorrem a cada cinco anos.

No Relatório de Desenvolvimento Humano de 2010, Barbados ficou na 42ª posição de um total de 169 países, sendo classificado como país tendo nível muito elevado de desenvolvimento humano (1). É o único país de língua inglesa da Região do Caribe a receber essa designação. A economia do país é fortemente dependente do turismo e teve um crescimento contínuo durante seis anos consecutivos, de 2002 a 2007, mas encolheu 0,2% em 2008. Em 2009, a economia encolheu ainda mais registrando uma queda de 4,7% no PIB real (veja Tabela 1). Houve um leve crescimento de 0,2% em 2010 (2).

De acordo com o censo de 2000, a população do país era de 268.792 pessoas. Dados oriundos do Serviço Estatístico de Barbados indicam que, na data de 31 de dezembro de 2010, a população foi estimada em 276.300 pessoas, um aumento de cerca de 7.500 em comparação com os números de 2000. Em 2010, os homens foram estimados em 133.700 e as mulheres em 142.600. As pessoas acima de 60 anos representavam 18% da população, ao passo que 2,1% ultrapassavam os 85 anos de idade. A densidade populacional é alta, atingindo aproximadamente 637 pessoas por Km2. A taxa de natalidade diminuiu de 12,9 por 1.000 habitantes em 2009 para 12,2 em 2010. O número de nascidos vivos diminuiu de 3.414 em 2006 para 3.366 em 2010, quando houve o nascimento de 1.796 meninos e 1.570 meninas.

A taxa de mortalidade oscilou no período 2006-2010, com 8,5 por 1.000 habitantes em 2006 para 8,0 por 1.000 habitantes em 2010. A taxa média de crescimento populacional foi de 0,2% e a taxa média de crescimento natural foi de 4,0% para o período. A pirâmide populacional do ano 2010 mostrou um achatamento de sua inclinação em comparação com a pirâmide de 1990, o que reflete o ulterior envelhecimento da população (ver Figura1). As populações das faixas etárias 0-4 anos e 40-44 anos eram mais numerosas em 1990 em comparação com 2010; a população acima de 45 anos de idade aumentou em 2010, em comparação com os números de 1990. Barbados continuou a atrair migrantes provenientes da Região do Caribe e de outras regiões.

Em números absolutos, a mortalidade infantil diminuiu no período 2006-2010, passando de 57 em 2006 para 34 em 2010. A taxa total de fertilidade manteve-se estável entre 2000 e 2010, com 1,6 e 1,7 crianças por mulher, respectivamente. A expectativa de vida ao nascer foi de 77,7 anos em 2010, um leve aumento se comparada à de 2006, que foi de 76,8 anos.

A malha viária de Barbados é bem desenvolvida, à imagem da sua infraestrutura de comunicações. O número de usuários de Internet cresceu de 63,0 por 100 pessoas em 2006 para 70,2 em 2010; as linhas telefônicas fixas aumentaram de 49,0 por 100 pessoas em 2006 para 50,30 em 2010; as assinaturas de telefonia móvel subiram de 87 por 100 pessoas em 2006 para 128 em 2010 (3).

Barbados realizou avanços significativos no setor da saúde durante o período do relatório. As taxas de mortalidade de neonatos e crianças diminuíram em razão do melhor acesso aos serviços de saúde e melhorias gerais nos padrões de vida. O programa ampliado de imunização continua reduzindo a incidência de doenças imunopreveníveis. A população tem maior consciência sobre o papel das questões ambientais na manutenção de sua saúde, e programas têm sido elaborados para enfrentar as principais questões de saúde pública do país. O tratamento com antirretrovirais levou à redução de mortes por causa de HIV/Aids e à melhor qualidade de vida daqueles que vivem com HIV.

O país vivencia um aumento preocupante da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis, o que levou à implementação de vários sistemas, tais como a instalação da Comissão Nacional sobre Doenças Crônicas Não Transmissíveis, a Força Tarefa Nacional para Atividade Física e Exercícios, o Registro Nacional de Barbados de Doenças Não Transmissíveis e o acordo com a Fundação do Coração e Derrame de Barbados para a prestação de serviços de reabilitação cardíaca das pessoas atingidas por doenças cardíacas e derrames cerebrais. Os Serviços de Medicamentos de Barbados têm sido reconhecidos por sua promoção de boas práticas na gestão farmacêutica.

Em 2004, Barbados estabeleceu uma política de assistência em saúde mental, como resposta à precariedade dos serviços de saúde mental. Em 2008, uma Comissão Nacional de Saúde Mental foi instalada para orientar a implementação do processo de reforma da saúde mental. Iniciativas foram tomadas para padronizar o tratamento e a gestão de toxicodependentes, incluindo a elaboração de um projeto de lei sobre Normas Mínimas para Instalações de Tratamento de Dependentes Químicos.

DETERMINANTES E DESIGUALDADES EM SAÚDE

Os dados do ano 2010 evidenciaram uma taxa de desemprego foi de10,8%. Naquele ano,a taxa de desempregopara os homensfoi de 10,9%, contra 10,6% para as mulheres. O número real dedesempregadosfoi estimado em15.300. A participaçãona força de trabalhofoi de 66,6%, com 71,8%de homens e62%demulheres empregadas(4).

Em 2010, o governo deBarbados,em conjunto com oBancode Desenvolvimento do Caribe, realizou uma Avaliação da Pobreza e das Condições de Vida no País (CALC) para determinar o estado dos barbadianos em relação a fatores de qualidade de vidatão importantescomoníveisde renda e gastos, consumo, emprego, educaçãoe acesso aserviços sociais e públicos. Esse estudo centrou-sena identificação dascausas da pobreza e avaliouo seu tipo e magnitudeno país. Seus resultados informarão políticas de redução e alívio da pobreza, bem como políticas e programas sociais relacionados.Nomeadamente, esse é o primeiro exercíciodessa naturezadesdeo estudo do BIDsobre a pobrezaem Barbados, realizado em1997. O estudo estimou a linha de pobreza em US$ 2.751 per capitapor anoe que a pobreza afetava cerca de13,9% da população(5).

A taxa dealfabetização de adultospermaneceu em 99,7% entre 2005 e 2010. A escolaridade até o nível secundário é obrigatória até os16 anos de idade e é oferecida pelo Estado. Dadosdo Ministério daEducação e do Desenvolvimento de Recursos Humanosindicam que havia,noano acadêmico de 2005/2006,4.782estudantes barbadianos matriculados em cursosde graduação e pós-graduação na Universidadedas Índias Ocidentais. Essenúmero aumentou para6.029 no ano 2008/2009, sendo 4.054 mulheres e 1.975 homens.No ano 2005/2006, havia na Universidade Comunitária de Barbados 1.429estudantes de sexo masculino e2.685de sexo feminino, ao passo que, em 2008/2009, havia 1.459estudantes matriculados de sexo masculino e3.001 de sexo feminino.Outrasinstituições de ensino superiormostraram a mesma tendência de maismulheres do que homens.

MEIO AMBIENTE E SEGURANÇA HUMANA

Acesso à Água Potável e Saneamento

Barbados está em 15º lugar em termos de escassez de águaentre todos os paísesdo mundo. Aproximadamente 1.000m3 de águasão consumidosper capita por ano, sendo que apenas 350m3 de recursos hídricos estão disponíveis per capita por ano(6).O país équase totalmente dependentedas águas provenientes de fontesde aquíferas subterrâneas, uma vez que há muita pouca água na superfície.Há coberturauniversalpara serviços de abastecimento de água potável e de esgotoseinstalações de eliminaçãode dejetos.

Resíduos Sólidos

Barbados elimina 1.000toneladas de resíduos sólidospor dia, ouuma média de 3,7kg per capitapordia. Há muitas agências responsáveis pelo descarte de resíduos sólidos. O Departamento de Proteção Ambientalé aagência reguladora, enquanto o Ministério da Saúdeapoiana aplicação das leis, a Unidade do Projeto de Resíduos Sólidossupervisionaquestões relacionadas a políticasde gestão de resíduos sólidos e a Autoridadede Serviçosde Saneamentoé responsável pelacoleta de resíduossólidos urbanos, operando com quatrolocais de descarte de resíduos sólidos.

Erosão do Solo

A erosão do solocontinua a ser umproblemaem muitas partesda ilha.Esse fenômeno é maisevidenteno distrito Scotland, localizado no nordeste da ilha, que énaturalmente propenso a deslizamentos de terradevido às suas característicasgeológicas e topográficas.

Poluição Atmosférica

A poluição do arnãoé consideradaum grande problema, embora as emissõesdos veículos motorizados sejam um motivo de preocupação. Os dados provenientes da Comissão Econômicapara a América Latinae o Caribe (CEPAL) indicam que as emissõesde dióxido de carbonoaumentaram de1.338milhares de toneladasem 2006 para 1.346milhares detoneladas em 2007.

Poluentes Orgânicos Persistentes

A Convenção de Estocolmosobre Poluentes Orgânicos Persistentes(POPs) entrou em vigor emmaio de 2004,eBarbadosaderiu à Convençãoem junho daqueleano.De acordo com oPlano Nacional de Implementaçãoda Gestão dosPoluentes Orgânicos Persistentes,seis dos poluenteslistados(aldrina, clordano, DDT, dieldrina, endrina, heptacloro) estão proibidos emBarbados, três dos poluenteslistados(hexaclorobenzeno, mirex etoxafeno)não foramoficialmente banidos, mas nãoforam emitidaslicençasparasua importação ouutilização.

Desastres

Os perigos naturais que têm certa relevância para Barbados são furacões e tempestades tropicais, com os surtos e riscos de inundações associados. Outras ameaças incluem deslizamentos, erosão costeira e terremotos. Barbados não tem sofrido impactos diretos dos furacões durante o período em análise, mas o país foi afetado pela tempestade tropical Tomas em outubro de 2010. Nenhuma morte foi registrada, mas houve danos a telhados e casas, linhas de energia derrubadas, árvores desenraizadas, e as estradas ficaram intransitáveis por causa dos escombros. O setor agrícola sofreu perdas que totalizaram US$ 4,5 milhões, e cerca de US$ 18,5 milhões foram necessários para reparar ou substituir casas.

Mudanças Climáticas

Barbadosfoi o único paísno Hemisfério Ocidental escolhido paraparticipar do Projeto Instalação Ambiental Global (GEF) “Piloto de Adaptação às Mudanças Climáticas para Proteção da Saúde Humana”, cobrindo os anos de 2010a 2014.O projeto ressalta aescassez de água eseu impactosobre a saúdeda população e avalia o que deve ser feitopara diminuir esse impacto. A Unidade de MudançasClimáticas, quefoi criadadentro do Ministério daSaúde,demonstra o compromissoda ilhano âmbito do projetoGEF.

Segurança Alimentar e Nutricional

As diretrizes dietéticas de Barbadosforam revisadas eaprovadasdurante operíodo em análise.Estima-se queo setor da indústria agrícola diminuiu em 5,8% do PIB nominal, passando de US$ 62,9 milhões em 2009 para US$ 59,3 milhões em2010 (2).

Segurança Alimentar

De acordo com dados doCentro deEpidemiologia do Caribe, houve 564casos desalmonelose emBarbadosdurante o período 2006-2010. Nenhum caso de gripe aviária foi registrado.

CONDIÇÕES E TENDÊNCIAS DE SAÚDE

Problemas de Saúde de Grupos Específicos da População

Saúde Materna e Reprodutiva

Barbadosatingiu o Objetivo de Desenvolvimento do Milênionº 5 das Nações Unidas, que consiste em melhorar a saúde materna. Ataxa de mortalidade maternafoi de 56,7por 100.000 nascidos vivos em 2006 (dois óbitos), zero em 2007 (sem óbitos), 81,8em 2008 (3 óbitos), 83,9em 2009,(3 óbitos) e 58,4 em2010 (2 óbitos). No período em análise, as mulheres receberam gratuitamente cuidados pré-nataisnaspoliclínicas e todos os nascimentosforam assistidos porprofissionais.A prevalência do uso de contraceptivosfoi de 55%para o período 2005-2009(7).A prevalênciado vírusda imunodeficiência humana(HIV)entre a coorte demulheres que receberam cuidados pré-natais e que tiveram partos em 2008foi de 0,96%. Em Barbados, a proporção de gestantes que realizaram o testepara HIVaumentou de84,6%em 2006 para93,0%em 2008.

Crianças (até um ano de idade)

As condições perinataise anomalias congênitas permaneceram como principal causa de morteentre crianças até um anode idade. Em 2009,14 óbitos infantis (35%) deveram-se a doenças respiratóriase seis óbitos(20,5%) a malformações congênitas.Os serviços pré-nataisede saúde infantilnaspoliclínicas e nas Unidades de Atenção Neonatal e Pediátrica Intensiva doHospitalQueen Elizabethforam fundamentais na melhoria das taxas desobrevivência infantil. O programa de prevenção da transmissãovertical doHIVreduziu para 1,5% a transmissão do vírusparaos recém-nascidosem2008. Antes do começo do programa em 1995,a taxa de transmissão vertical do HIV era de 27,1%.

Crianças (1-9 anos de idade)

Em 2010, crianças até 5 anos de idade representavam6,4% da população e 6,7% eram crianças que tinham entre 5-9anos. Infecções respiratórias agudas egastroenteritesforam asprincipais doençasque afetaramcrianças. Em 2010,houve846casos de abuso infantilrelatadosao Conselho de Assistência Infantil. Destes,372 (44%) foram devidos à negligência, 191 (22,8%) aabuso físico, 185 (21,9%) a abusosexual,95 (11,2%) a abuso emocional e três (0,4%) a abandono. Em 2009,houve sete óbitosna faixa etária de1-4anos de idade, que foram atribuídas àsepticemia(2), câncer daretina(1), síndrome de Guillain-Barré (1), pneumoniadevidoà inalaçãode alimentos evômito(1), síndrome do nó sinusal(1)e enfisemaintersticial(1).

Adolescentes (10-19 anos de idade)

Os indivíduos dogrupo etário 10-19 anosde idadeforam estimados em38.000,representando14,0%da população totalem 2010. Havia 520adolescentes(13 a 19 anos)nascidosem 2008, 525 em 2009e 468em 2010. Dados provisórios sobrepartosna adolescênciaindicaram os seguintes percentuais sobre o total de nascimentospara osanos de 2008,2009 e 2010: 15,4%, 16,3% e 14,9%, respectivamente. Em 2009,houve nove óbitos na faixa etária de 5-14anos (seis meninos e três meninas) e 32óbitos na faixa etária de 15-24 anos de idade (19homens e 13 mulheres).

Em 2009, O Ministério da Saúde, ciente dosdesafios que os adolescentesenfrentam,desenvolveu umprograma de saúde abrangente paraesses grupos baseados em escolase clínicas.Em 2010,um kit deferramentas para adolescentesfoi desenvolvidoem colaboração com aOrganização Pan-Americana da Saúde, envolvendo a participaçãode adolescentes daseis escolas secundárias; o kit de ferramentasabordou temas como asexualidade humana,habilidades para a vida, violência e abuso de substâncias (incluindo álcool).

Adultos (24-64 anos de idade)

Pessoas entre25 e 44anos de idaderesponderam por27,5%da população totalem 2010.Houve153mortesnessa faixa etáriaem 2009, das quais 10 foram atribuídas aacidentese 12por homicídio, a maioria envolvendo homens. A incidência de HIV em Barbados em 2009foi de 62,5por 100.000adultos entre asidades 15e 49 anos, sendo 63,9 e 61,7 por 100.000 pessoas entre homens e entre mulheres, respectivamente.

Em 2008,um total de953pessoasna faixa etária de25-44anosfoi tratado no Hospital Queen Elizabeth. A principal causa demorbidade paraesse grupo etário foramcânceres malignosebenignos, respondendo por 38,7%de todas as pessoastratadas porneoplasias.As lesõesrepresentaram11,4% e hipertensão arterial edoenças cerebrovascularesforam responsáveis por4,4% e 3,2%, respectivamente. Houve154 mortesnessa faixa etáriaem 2009.As principais causas demorteforam as agressões(que foram 12mortes, ou7,79%de todas as mortes), alguns tipos de acidentes,como quedase exposiçãoa corpos estranhos, 6,5%; doenças cardiopulmonares,5,2% eas neoplasias malignas damama feminina, 4.6%.

Em 2008,1.628pessoas entre45e 64 anosforam tratadasno Hospital Queen Elizabeth. A principal causa demorbidade foram oscânceresmalignos e benignos(600pessoas, ou36,8%das pessoastratadas), seguido por hipertensão arterial (211, ou 12%), diabetes (119, ou7,3%) e cardiopatia isquêmica (101, ou6,2%). Em 2009, a cardiopatia isquêmica foi aprincipal causa de mortenessa faixa etária, com 38 mortes, representando 8,5%de todas as mortes. A doença cerebrovasculare o diabetes mellitusforam responsáveis por 34e 32mortes, respectivamente, e as neoplasias malignas de outros locais foram responsáveis por 25mortes; as doenças cardiopulmonares edoenças hipertensivas foram responsáveis cada uma por20 mortese as neoplasias malignasda mama femininarepresentaram19 mortesnesse grupo etário.

Idosos (65 anos ou mais)

As pessoas com 65anos de idade ou mais representavam 14,1%da população em2010. Houve1.671mortes nesse grupoem2009. As principais causas de morteforam: diabetesmellitus (163 mortes), cardiopatias isquêmicas(161), doenças cerebrovasculares(157) e neoplasias malignasda próstata(105).

A Família

Os serviços em policlínicas e outras instituições de saúde atenderam a toda a família. Programas para a saúde dos homens foram introduzidos em todas as policlínicas, com o objetivo de aumentar os comportamentos saudáveis entre os homens. Serviços de planejamento familiar também estão disponíveis nas policlínicas.

Os trabalhadores

O Ministério do Trabalhoéresponsável pela administraçãodos requisitos legaisque garantam a segurançae a saúde no trabalho. O númerode acidentes de trabalhodiminuiu de726em 2008para 672 em2009.Dos acidentes que ocorreramem 2009, 74 foram investigados(51de acidentes em indústrias e23 não industriais)e 90foram programados para prosseguimento da investigação por parte daSeção de Segurançae Saúdedo Departamento deTrabalho.A situação dos demais acidentes de trabalho não foi determinadano momentoda redação deste relatório.Houve duasmortes ocupacionais em 2009.

Mortalidade

A taxa geral de mortalidadepor 1.000 habitantesfoi de 8,8em 2009.Ataxa de mortalidade infantilem 2010foi de 10,9por 1.000 nascidos vivos, representando 39 mortes. A taxa de mortalidadeperinatalcaiu de3,7por 1.000 nascidos vivosem 2006para 2,2 em2009,e a mortalidadeneonataldiminuiu de12,5 por1.000nascidos vivospara 8,7 nos mesmos anos. A taxa de mortalidadepara crianças até 5 anos de idadefoi de 14,8por1.000 nascidos vivos em 2008.

Dados provisóriosde2009 revelaram queas principais causas demorte foram cardiopatias isquêmicas,diabetes mellitus, doenças cerebrovasculares, infecções respiratórias agudas, doenças hipertensivas e neoplasias malignasda próstata, nessa ordem (ver Tabela 2).Em 2001, as principais causas foram doenças cerebrovasculares, diabetes mellitus, cardiopatias isquêmicas e neoplasias malignasda próstata.

Morbidade

Doenças Transmissíveis

Doenças Transmitidas por Vetores

A dengue é endêmica emBarbados, com número flutuante de casosdurante o período do relatório. Houve153 casos em 2006, 640 casos em 2007, 280 casos em 2008, 91 casos em 2009e 230casos confirmadosaté setembro de 2010. Houve 10mortes por denguede janeiro de 2006a setembro de 2010. A taxa de letalidadefoi baixa,variando de 0,3% a 2% entre 2006 e 2009. Apenaso sorotipo 3foi detectado em2009, masos sorotipos de 1 a4circularamem 2010.

A malária não é endêmicano país, mas dois casosimportadosforam diagnosticadosem 2010.

Doenças Imunopreveníveis

Não houve casosde doenças cobertas pelo Programa Ampliado de Imunização durante o período em análise. A vacina pneumocócica foi acrescentada aocalendário de vacinaçãode Barbadosem 2009 eoregime de dose trípliceestá sendoadministrado emcrianças aos 2, 4 e 6 mesesde idade.Em 2010, a cobertura de DTP-pentavalente foi de 88,3%e a da vacinaMMRfoi de 87,2% (primeira dose) (Tabela 3).No período2008-2010,houve1.345casos decatapora.Avacina contra a varicelafoi administrada em profissionais de saúde e populaçõesvulneráveis, bem comocrianças, idosos e imunocomprometidos.

Zoonoses

Houve 61casos confirmados de leptospirose em seres humanosdurante o período 2006-2010.

HIV/Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis

Entre 1984, quando o primeiro caso deAidsfoi confirmado emBarbados,eo final de 2008, o número cumulativode casos de HIVfoi de3.166(62,8% nos homens), e2.126casos deAids(68,1% nos homens). Nesse mesmo período, houve1.436mortes relacionadas à Aids(comhomensrepresentando73,1%)(8).Em 2009,110 pessoas(53mulheres e 57 homens) foram diagnosticadas comHIV, dentre as quais 53 (21 mulheres e32 homens) foram diagnosticadas com Aids,e houve34mortes relacionadas à Aids(15mulheres e 19 homens). Em 2010, 81 pessoas(53homens e 28 mulheres) foram diagnosticadas como HIV(a partir deagosto).A incidência de casos de HIVparao período em análisefoi de 158em 2006, 157 em 2007, 156 em 2008, 110 em 2009 e81 (casos notificados até agosto de 2010) em 2010.

Entre 2001e 2008,houve um declínioacentuadode 10%para 2% –na taxade letalidadeda Aids.Isso foi atribuídoà instituição do Programa de Terapia Antirretroviral Altamente Ativa(HAART) do governo iniciado em 2002.

Tuberculose

Três casos de tuberculose pulmonar foram confirmados durante o período em análise. Nenhum desses casos foi resistente a medicamentos.

Doenças Emergentes

Houve um surto de gripe A (H1N1) em 2009; 155 pessoas ficaram doentes, e houve 3 mortes relacionadas à doença.

Doenças Crônicas Não Transmissíveis

Criou-se em 2006 uma Força-Tarefa sobre o Desenvolvimento de Serviços Cardiovasculares e, no ano seguinte, a Comissão Nacional de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) foi estabelecida em Barbados. A Comissão desenvolveu o Plano Nacional Estratégico de Barbados para Doenças Crônicas Não Transmissíveis para o período 2009-2012, visando prevenir e reduzir a incidência de doenças crônicas. Parte dessa iniciativa foi a criação do Registro Nacional de Barbados para DCNTs (ver Quadro 1).

De acordo com a Pesquisa sobre Fatores de Risco do Comportamento de Barbados (utilizando a abordagem Passo a Passo “STEP” da OMS para vigilância de fatores de risco de doenças crônicas) realizada em 2007, aproximadamente 44% da população relatou ter pelo menos três dos fatores de risco para doença crônica (9).

Barbados tem testemunhado a crescente incidência e carga econômica das DCNTs nos últimos 30 anos. O Ministério da Saúde estima que, até o ano de 2030, 86,3% de todas as mortes em Barbados serão causadas por essa categoria de doenças. Em 2010, o Ministério da Saúde realizou uma avaliação das necessidades para apoiar o desenvolvimento de serviços de cuidados paliativos e desenvolver modelos apropriados de atenção.

Doenças Cardiovasculares

Em 2007, houve 423 internações hospitalares por doenças cerebrovasculares (207 homens e 216 mulheres) e 301 por cardiopatia isquêmica (172 homens e 129 mulheres). Em 2009, 322 mulheres e 237 homens sofreram AVCs; 319 (70%) foram classificados como isquêmicos e 70 (15%) como hemorrágicos (9). A incidência de AVC aumentou com a idade para ambos os sexos.

O Registro Nacional de Barbados é um registro de base populacional para doenças crônicas não transmissíveis. O registro começou a operar em 1º de julho de 2009, acompanhando as taxas de incidência de infarto do miocárdio agudo, derrame e câncer. Desde o seu início até 31 de dezembro de 2009, houve 182 mortes (82 mulheres e 100 homens) por infarto do miocárdio e parada cardíaca fulminante. A proporção de homens com menos de 55 anos tendo um infarto agudo do miocárdio foi quase o dobro do registrado em mulheres (19% vs. 10%), porém os números são pequenos demais para chegar a qualquer conclusão definitiva. A maioria dos infartos do miocárdio em homens aconteceu na faixa etária de 55 anos ou mais, enquanto essa doença ocorreu em mulheres de 65 anos ou mais.

Os dados do Registro Nacional de Barbados mostram que, com base na incidência de AVCs que ocorreram entre janeiro e dezembro de 2009, houve 559 casos de AVCs (322 mulheres e 237 homens). Destes, 70% foram isquêmicos, 16% hemorrágicos e 14% não foram especificados. Em 2009, 448 pessoas que sofreram um derrame foram internadas no Hospital Queen Elizabeth, das quais 117 (26,0%) morreram no hospital. Das pessoas admitidas no Hospital Queen Elizabeth, em 2009, 416 (93%) realizaram tomografia computadorizada (TC) como parte de sua avaliação diagnóstica.

Neoplasias malignas

Em 2009, houve 122 (55 homens e 67 mulheres) internações por neoplasias malignas do cólon, 108 por neoplasias malignas da mama feminina, 89 por neoplasias malignas da próstata e 62 para neoplasias malignas do colo uterino. O câncer da próstata foi a sexta maior causa de morte em 2009, caindo do quarto lugar registrado em 2001.

Diabetes

Em 2007, houve 328 internações hospitalares por diabetes mellitus (103 homens e 225 mulheres). A maioria (185) dessas internações foi de pessoas com 65 anos ou mais. Em 2009, o diabetes mellitus foi responsável por 202 mortes (78 homens e 124 mulheres), sendo que 80,7% dessas ocorreram na população de 65 anos ou mais. O Programa Passo a Passo, introduzido em Barbados em julho de 2009, visa proporcionar educação continuada em atendimento a diabéticos para os profissionais de saúde e os pacientes diabéticos, de modo a reduzir a incidência de complicações e amputações, bem como capacitar as pessoas vivendo com diabetes a se cuidarem melhor.

Hipertensão Arterial

Em 2007, houve 501 internações (206 homens e 295 mulheres) por causa da hipertensão arterial. Cerca da metade (50,9%) estava na faixa etária de 65 anos ou mais e 38,7% em pessoas de 45-64 anos de idade. Em 2009, a hipertensão arterial foi responsável por 120 mortes (51 homens e 69 mulheres).

Doenças nutricionais

Obesidade

Os dados da Pesquisa sobre Fatores de Risco em Barbados, realizada em 2007, mostraram que 65,2% das pessoas com 25 anos ou mais estavam com sobrepeso (IMC = 25) ou obesidade (IMC = 30); o nível de sobrepeso foi de 54,6% entre homens e 74,3% entre mulheres. A pesquisa também mostrou que a maioria dos entrevistados (95,4%) informou que comia menos de cinco porções combinadas de frutas e verduras todos os dias (9).

Acidentes e Violência

Foram registrados 8.676 acidentes de trânsito terrestre em 2006 (22 fatais) e 8.317 em 2009 (25 fatais). Os homicídios diminuíram de 35 em 2006 para 19 em 2009. A criminalidade associada às drogas diminuiu de 919 casos em 2006 para 830 em 2009. Houve 265 crimes envolvendo armas de fogo em 2006 e 207 em 2009.

Transtornos mentais

Em 2007, US$ 13,7 milhões, ou cerca de 7% do orçamento nacional da saúde, foram alocados ao Hospital Psiquiátrico no âmbito de um subprograma de “Serviços Hospitalares”. Esse número não inclui os custos da unidade de internação comunitária no Hospital Queen Elizabeth ou dos medicamentos utilizados para tratar os transtornos mentais. Em 2008/2009, a alocação foi de US$ 16.093.435 e o orçamento para 2009/2010 foi de US$ 16.531.569. Em 2007, houve 1.166 internações e 861 altas, com os diagnósticos principais de alta sendo esquizofrenia (39%) e distúrbios comportamentais (29%). Houve 1.023 internações no hospital psiquiátrico em 2009 (10).

Fatores de Risco e Proteção

Atividade Física

Em 2009, o governo aprovou a instalação da Força-Tarefa Nacional de Atividade e Exercícios Físicos com o objetivo de incentivar e implementar nacionalmente programas de atividade física. A atividade física é obrigatória para todos os alunos que frequentam escolas em Barbados, como evidenciado pela integração curricular e extracurricular de esportes competitivos e não competitivos em programas acadêmicos.

Tabagismo

A Pesquisa Global da OMS sobre Tabagismo nos Jovens (GYTS) para 2007 foi realizada em 22 escolas secundárias públicas em Barbados, entre alunos de 13 a 15 anos de idade (11). Na amostra representativa, 28% relataram que usavam naquele momento algum tipo de produto de tabaco (34,5% de todos os homens e 23,2% de todas as mulheres pesquisadas). Houve 11,6% de estudantes que relataram que fumavam cigarros (14,3% de todos os homens e 9,3% de todas as mulheres pesquisadas). Isso representa um aumento de 2% no consumo de tabaco entre os estudantes desde o inquérito de 2003. Após a ratificação da Convenção-Quadro sobre Controle do Tabaco, em 2005, uma legislação para dobrar os impostos sobre cigarros foi promulgada (2008); houve proibição de venda isenta de impostos dos cigarros (2008), proibição de venda de cigarros a menores de idade (2009) e proibição do fumo em todos os locais públicos (em vigor em 1º de outubro de 2010).

A Pesquisa sobre Fatores de Risco do Comportamento em Barbados, realizada em 2007, informou que a prevalência de tabagismo era de 8,4%, com a idade média de início em 20,0 anos (19,7 anos para homens e 21,9 anos para mulheres). A Pesquisa sobre Fatores de Risco do Comportamento em Barbados (2007) revelou que 8,4% dos adultos de 25 anos ou mais eram fumantes (15,3% dos homens e 2,2% das mulheres com idade acima de 25). A maioria dos entrevistados (62,2%) afirmou não ter ingerido álcool no ano anterior.

POLÍTICAS DE SAÚDE, O SISTEMA DE SAÚDE E A PROTEÇÃO SOCIAL

Políticas de Saúde e Papel da Administração no Sistema de Saúde

O Ministério da Saúde realiza tanto funções de direção quanto de prestação de cuidados de saúde. A tomada de decisão é centralizada e não há autoridades de saúde locais. O Plano Estratégico da Saúde do Ministério da Saúde de 2002-2012 inspirou-se do Plano Estratégico Nacional, que tem como um de seus objetivos a melhoria da saúde de todos os barbadianos. As áreas prioritárias são o desenvolvimento dos sistemas de saúde; serviços de saúde institucionais; saúde da família; alimentação, nutrição e atividade física; doenças crônicas não transmissíveis; HIV/Aids; doenças transmissíveis; saúde mental e abuso de substâncias; saúde e meio ambiente e desenvolvimento de recursos humanos (12).

A regulamentação das profissões de saúde é realizada através de vários conselhos profissionais, como os de Medicina, Farmácia, Odontologia, Enfermagem, Odontologia e Serviços Paramédicos.

Desempenho do Sistema de Saúde

Em 2010, uma avaliação do desempenho das Funções Essenciais de Saúde Pública (FESP) mostrou que houve melhoria em algumas áreas, quando comparadas com os resultados da avaliação de 2002 (13). Nove das 11 FESP pontuaram 50% ou superior. A FESP 10 (Pesquisa em saúde pública), a FESP 11 (Redução do impacto de emergências e desastres em saúde) e a FESP 5 (Desenvolvimento de políticas e a capacidade institucional de planejamento e gestão da saúde pública) geraram os resultados mais altos, 88%, 83% e 81%, respectivamente. As funções com baixa pontuação foram a FESP 6 (Fortalecimento da regulação da saúde pública e da capacidade de aplicação) e FESP 7 (Avaliação e promoção do acesso equitativo aos serviços necessários de saúde), que pontuaram 43% e 49%, respectivamente. Na avaliação realizada em 2002, a FESP 11 teve o segundo melhor desempenho (72%), enquanto a FESP 10, que recebeu a mais alta classificação em 2010, teve resultados mais baixos (24%) em 2002.

Barbados não possui nenhum sistema nacional de seguro-saúde. A Lei de Serviços de Saúde de Barbados de 1969 (Cap. 44) e a Lei de Serviços de Medicamentos (1980) garantem a cobertura universal de saúde pública aos barbadianos. No entanto, as pessoas podem optar pelo acesso a cuidados de saúde oferecidos pelos planos de saúde privados. O Regime Nacional de Seguridade cobre pessoas empregadas e autônomas com idade entre 16 e 65 anos. Esse regime garante benefícios que incluem maternidade, doença, desemprego e acidentes de trabalho.

Financiamento e Gastos com Saúde

Em 2009/2010, o orçamento do Ministério da Saúde elevou-se a US$ 134.284.639, representando 10,8% das despesas públicas totais. A Tabela 4 mostra as dotações para o Ministério e seus diversos departamentos. Para o ano fiscal 2010/2011, a dotação orçamentária para o Ministério da Saúde foi de aproximadamente 9% das despesas totais do governo (14).

O Governo de Barbados continuou afirmando seu compromisso em atribuir a máxima prioridade à resposta contra o HIV/Aids. Em 2009, os gastos públicos nacionais com HIV/Aids foram de US$ 8.010.457. Em 2009, o montante total de gastos com HIV/Aids (inclusive de fontes internacionais e fundos privados) totalizou US$ 11.903.094. O país recebe uma quantidade significativa de financiamento internacional destinado para esse esforço (Tabela 5).

Os Serviços de Saúde

A prestação de serviços de saúde em Barbados é guiada por princípios de equidade e acesso universal. A política do governo de prestar serviços gratuitos de cuidados de saúde no ponto da assistência, a localização estratégica de policlínicas comunitárias, um regime de ajuda médica, o Serviço de Medicamentos de Barbados e o horário ampliado de funcionamento dos serviços são algumas das medidas postas em prática para garantir que cuidados de saúde sejam acessíveis a todos os barbadianos.

A atenção primária em saúde é um componente essencial dos serviços de saúde prestados em Barbados. Está disponível nas oito policlínicas, que são totalmente equipadas e possuem profissionais suficientes para fornecer uma ampla gama de serviços de saúde, bem como nas três clínicas-satélite. Essas instalações estão localizadas em lugares de fácil acesso dentro da sua área de cobertura e fornecem serviços como saúde materno-infantil, saúde mental, saúde bucal e clínicas gerais.

O pessoal das policlínicas faz visitas à comunidade para realizar avaliações domiciliares e familiares e estabelecer relações de clientela eficazes; detectar e gerenciar situações de risco, incluindo fatores ambientais que podem prejudicar a família e a comunidade; incentivar sistemas de apoio à família e uso dos recursos disponíveis; fornecer cuidados de enfermagem domiciliares, conforme necessário (como gestão de cuidados para feridas); oferta de cuidados pré-natais e pós-natais; administrar a insulina e, onde necessário, encaminhar para outros níveis de atenção.

Quatro hospitais distritais fornecem atenção de longo prazo para os idosos. Ao nível comunitário, existe o Programa de Atenção Alternativa ao Idoso, que é um arranjo contratual público/privado entre o Ministério da Saúde e casas privadas de enfermagem e lares de idosos. Essas casas oferecem cuidados residenciais 24 horas por dia para as pessoas mais velhas que já não necessitam de cuidados institucionais ou para aqueles que necessitam deste nível de cuidados dentro de seu ambiente familiar.

Um projeto de Clínica Geriátrica Comunitária também opera dentro do contexto dos cuidados primários; essa modalidade foi concebida para fornecer serviços especializados de geriatria para um subconjunto de pessoas idosas que vivem na comunidade, permitindo-lhes desfrutar de uma melhor qualidade de vida. O projeto visa principalmente aumentar a capacidade do grupo-alvo de gerenciar suas Atividades de Vida Diária (AVDs); avaliar o surgimento de delírio ou demência; formular recomendações para o desenvolvimento de programas destinados a reduzir a internação de idosos residentes na comunidade em instituições geriátricas; avaliar a necessidade de apoio ao trabalho social; e coordenar a prestação desse apoio.

O Hospital Queen Elizabeth é a principal estrutura que oferece atenção secundária e terciária. Outros serviços públicos de saúde incluem um hospital psiquiátrico, uma casa de abrigo para pessoas com transtornos mentais, uma instalação de cuidados de longo prazo, um centro de reabilitação para crianças com dificuldades físicas e mentais e um albergue para sem-teto soropositivos.

Os gastos com produtos farmacêuticos para os exercícios 2008/2009, 2009/2010 e 2010/2011 foram de US$ 24.782.850, US$ 26.356.233 e US$ 23.513.385, respectivamente (15). Para lidar com as despesas elevadas do Serviço de Medicamentos de Barbados ao longo desses anos, o Ministério da Saúde considerou as propostas de introdução de uma taxa de administração em farmácias do setor privado e de racionalização do Formulário de Medicamentos de Barbados. Em setembro de 2010, uma avaliação abrangente do Formulário de Medicamentos foi realizada, seu Comitê foi fortalecido e os ajustes recomendados foram efetuados.

GESTÃO DE CONHECIMENTO, TECNOLOGIA, INFORMAÇÃO E RECURSOS HUMANOS

Produção Científica em Saúde

Barbados produz um grande corpo de pesquisas. O Centro de Pesquisa sobre Doenças Crônicas, por exemplo, tem conduzido um estudo para melhor compreender a natureza das doenças crônicas que afetam a população, bem como determinado intervenções para melhorar a situação. Outras pesquisas envolvem doenças transmissíveis, como dengue, leptospirose e hantavírus.

Uma Força-Tarefa de Gestão da Informação e de Tecnologia da Informação, criada em 2007, lidera o desenvolvimento do sistema de informação em saúde do país. Em outubro de 2010, o Ministério da Saúde realizou uma avaliação do atual sistema de informação em saúde do país usando a Rede Métrica de Saúde, uma ferramenta desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde para apoiar o fortalecimento desses sistemas. A avaliação trouxe ao Ministério um número de descobertas e recomendações importantes que servem de base para estabelecer oficialmente um sistema de informação em saúde.

Recursos Humanos

O Ministério continua a lidar com os desafios do desenvolvimento de recursos humanos, incluindo a formulação de estratégias para retenção de pessoal. O setor saúde sofreu escassez de recursos humanos, incluindo enfermeiros, médicos e fisioterapeutas. Em 2006, havia 28 médicos, 28,8 enfermeiros e 2,8 dentistas por 10.000 habitantes. Uma das causas da escassez de recursos humanos é a migração do pessoal de saúde para os países mais desenvolvidos. Os profissionais de saúde, principalmente enfermeiros, são recrutados para Barbados a partir de outros países do Caribe, África e Sudeste Asiático.

Capacitação do Pessoal de Saúde

A formação dos profissionais da saúde é realizada principalmente na Universidade Comunitária de Barbados e na Universidade das Índias Ocidentais. Em setembro de 2008, a Escola de Medicina da Universidade em Barbados foi elevada à condição de Faculdade de Ciências Médicas e passou a oferecer Bacharelado em Medicina e Bacharelado em Cirurgia (MBBS) através de um programa quinquenal. A Universidade Comunitária de Barbados oferece uma série de programas de graduação e não graduação, abrangendo áreas como enfermagem e saúde ambiental. A educação continuada é realizada por meio de programas de formação em serviço ou outras oportunidades de formação no país ou no exterior. O Ministério também tem trabalhado com a Universidade das Índias Ocidentais e a equipe de assistência técnica do Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para desenvolver um diploma em gestão de serviços de saúde.

Em 2008, o Ministério da Saúde começou a desenvolver uma Estratégia de Recursos Humanos para a gestão e mobilização do capital humano. Em 2009, a Organização Pan-Americana da Saúde assessorou o Ministério no desenvolvimento de um conjunto de dados mínimos sobre recursos humanos em saúde. Uma consultoria para coletar dados que meçam os indicadores de base sobre recursos humanos em saúde foi realizada em Barbados em 2010.

SAÚDE E COOPERAÇÃO INTERNACIONAL

Barbados recebeu US$ 11,3 milhões em subsídios do 9º Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para apoiar a implementação do Plano Estratégico da Saúde de Barbados 2002-2012. Os subsídios abrangem projetos para a gestão de doenças crônicas não transmissíveis, serviços de saúde da família e fortalecimento de sistemas de saúde. Esse último componente aborda o desenvolvimento de um sistema moderno de informação em saúde, envolvendo ambos os setores público e privado. A Tabela 5 mostra os valores de financiamento internacional para o HIV/Aids em 2008 e 2009.

SÍNTESE E PERSPECTIVAS

Embora reconhecendo o êxito de Barbados na saúde, o sistema de saúde do país deve ser revisto para enfrentar não somente os desafios específicos do país, mas também os do Mercado e Economia Únicos do Caribe. As alterações previstas para o sistema atual incluem a prestação de serviços mais eficazes e custo-efetivos; o desenvolvimento de uma abordagem mais integrada para a prestação de serviços; a melhoria da qualidade dos serviços; o atendimento das necessidades persistentes em populações desfavorecidas ou frágeis; a melhoria do acesso a cuidados apropriados (especialmente para necessidades pós-agudas), potencializar o uso das competências e do conhecimento dos profissionais da saúde; e a introdução de novas tecnologias de comunicação e de informação. Vencer esses desafios exigirá modificações nas políticas, estruturas, no financiamento e nos incentivos.

Obviamente, as atrações turísticas devem ser diversificadas num país que depende tão fortemente deste setor para o seu Produto Interno Bruto (PIB). O Ministério da Saúde começou a explorar o eventual desenvolvimento de um mercado de turismo de saúde e bem-estar; para esse fim, estabeleceu uma Força-Tarefa de Desenvolvimento do Turismo de Saúde e Bem-estar em 2009, integrada por vários departamentos governamentais, agências e pelo setor privado, cabendo-lhe fornecer consultoria sobre o incentivo ao investimento, o desenvolvimento de ligações entre setores da saúde e turismo e comercialização de serviços de turismo de saúde.

As mudanças necessárias no comportamento humano e organizacional podem ser feitas em parte pela formação contínua direcionada e a garantia de que um sistema de remuneração baseado em desempenho seja capaz de fornecer incentivos e desincentivos de forma flexível e transparente.

Barbados está comprometido com a atenção primária em saúde como estratégia para proteger as populações vulneráveis. Para tal, o país criou uma Força-Tarefa de Cuidados Primários de Saúde para impulsionar essa estratégia. O país continua empenhado na racionalização dos gastos com saúde, na promoção da equidade e na construção da solidariedade em saúde, buscando ativamente desenvolver modelos apropriados para assegurar o financiamento da saúde.

A prestação de cuidados de saúde de qualidade é outra reforma prioritária do Ministério da Saúde, uma vez que essa é o alicerce para todas as outras reformas na oferta de serviços de saúde. Áreas a serem contempladas incluem os padrões de desempenho e o estabelecimento de sistemas eficazes de vigilância e indicadores de qualidade do desempenho. Além disso, uma grande empreitada consiste no projeto de racionalizar os programas de prestação de serviços de cuidados agudos secundários e terciários no Hospital Queen Elizabeth. O projeto incluirá o desenvolvimento de opções de serviços clínicos e de apoio, bem como modelos de financiamento.

Para começar a lidar com o envelhecimento da população, bem como as mudanças sociais e seu impacto na sociedade, Barbados empreendeu em 2010 uma revisão legislativa das modalidades para o desenvolvimento de um plano de atenção comunitária e domiciliar. Esse esforço objetiva reformar ou ampliar as atuais abordagens e serviços locais.

BIBLIOGRAFIA

1.     United Nations Development Programme. Human Development Report 2010. The Real Wealth of Nations: Pathways to Human Development. New York: UNDP; 2010.

2.     Barbados Ministry of Finance and Economic Affairs. Barbados Economic and Social Report. Bridgetown: Ministry of Finance and Economic Affairs; 2010.

3.     The World Bank Group. Mobile Cellular Subscription/100 people. The World Bank. Washington, DC: 2012 Disponível em: http://data.worldbank.org/indicator/IT.CEL.SETS.P2?pages=1 Acessado em 15 de fevereiro de 2012.

4.     Barbados Ministry of Labour, Barbados Statistical Service. Continuous Household Labour Force Survey 2010. Bridgetown: Ministry of Labour; 2010.

5.     Browne A. Barbados Experience with Poverty Surveys (draft.) A paper delivered at the UNSD Workshop on Poverty Statistics in Latin America and the Caribbean 10–13 May 2004, Rio de Janeiro, Brazil; 2004. Pode também ser acessado em: http: //unstats.un.org/unsd/methods/poverty/RioWS-Barbados.pdf

6.     Barbados Ministry of the Environment, Water Resources and Drainage. Barbados National Assessment Report of Progress Made in Addressing Vulnerabilities of SIDS through Implementation of the Mauritius Strategy for Further Implementation (MSI) of the Barbados Programme of Action. Bridgetown: Ministry of the Environment; 2010.

7.     United Nations Children’s Fund. Barbados Statistics, 2010 (http://www.unicef.org/infobycountry/barbados_statistics.html).

8.     Barbados Ministry of Health; National Commission on Aids. United Nations General Assembly Special Session (UNGASS) country progress report 2010. Bridgetown: Ministry of Health; 2010.

9.     Barbados Ministry of Health, Chronic Disease Research Centre. Barbados National Registry for Chronic Non-Communicable Disease: Annual report 2008/2009. Bridgetown: Ministry of Health; 2011. Disponível em: http://www.bnr.org.bb

10.   World Health Organization; Barbados Ministry of Health. WHO-AIMS Report on the Mental Health System in Barbados. Bridgetown: Ministry of Health; 2009.

11.   World Health Organization. Global Youth Tobacco Survey. Fact Sheet. Disponível em: http://www.paho.org/hq/dmdocuments/2010/2007%20Barbados%20GYTS%20Factsheet%20(Ages%2013-15).pdf.

12.   Barbados Ministry of Health. Barbados Strategic Plan for Health 2002–2012. Bridgetown: Ministry of Health; 2003.

13.   Barbados Ministry of Health; the Pan American Health Organization. Performance Measurement of the Essential Public Health Functions at the National Level in Barbados. Bridgetown: Ministry of Health; 2010.

14.   Barbados, Ministry of Health. Estimates of expenditure for the financial years 2008/09, 2009/10, and 2010/11.

15.   Pan American Health Organization; the Barbados Ministry of Health. Pharmaceutical Situation in Barbados: Level II Health Facility and Household Surveys. Washington, DC: PAHO; 2011.

Barbados

TABELA 1. Indicadores demográficos e econômicos selecionados, Barbados, 2006–2010

Indicador

Ano

2006

2007

2008

2009

2010a

Crescimento Real (%)

3,6

3,8

- 0,2

-4,7

0,2

Inflação (%)

7,3

4,0

8,1

3,6

5,8

Desemprego (%)

8,7

7,4

8,1

10,0

10,7

Expectativa de Vida (anos)

76,8

77,0

77,3

77,5

77,7

Gastos com saúde como% do total do país

13,1

12,9

12,5

12,7

10,8

a Os números do ano 2010 são provisórios.

Fonte: Compilados pelos autores a partir dos relatórios dos anos 2006–2010 de: Barbados, Ministério de Finanças e Assuntos Econômicos, Relatórios econômicos e sociais de Barbados (Bridgetown: Ministério de Finanças e Assuntos Econômicos).

BARBADOS POR-728

TABELA 2. As dez causas principais de morte, por ordem de classificação, Barbados, 2009

Doença

Número de mortes

Cardiopatia Isquêmica

205

Diabetes mellitus

202

Doença Cerebrovascular

195

Infecção respiratória aguda

121

Doença hipertensiva

120

Neoplasia maligna de próstata

114

Septicemia

94

Doenças do sistema urinário

82

Doença cardiopulmonar

76

Neoplasia maligna dos órgãos digestivos

69

Fonte: Barbados, Departamento de Registros, Ministério da Saúde. 2011

TABELA 3. Cobertura do Programa ampliado de imunização, por vacina, Barbados, 2007, 2008 e 2010

Vacina

2007

2008

2010

Pólio

92,5

85,0

92,5

DTP/pentavalente a

92,5

85,1

88,3

MMR1b

75,4

93,7

87,2

MMR2c

75,4

97,4

98,8

a Vacina combinada contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b (Hib).

b Primeira dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola.

c Segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola.

Fonte: Barbados, Programa de Imunização do Ministério da Saúde. Barbados, 2011.

           

QUADRO 1. O Registro Nacional de Doenças Crônicas não Transmissíveis de Barbados

O Registro Nacional de Doenças Crônicas não Transmissíveis de Barbados é o primeiro sistema do país de vigilância a monitorar múltiplas doenças crônicas: AVC, infarto e câncer.

                O Registro iniciou com o módulo de BNR-AVC em julho de 2008, seguindo com BNR-Cardíaco no ano seguinte e com BNR-Câncer de abril de 2010. Esse registro nacional de base populacional reúne os dados de pacientes a partir de registros hospitalares e comunitários e de entrevistas diretas com os pacientes.

                Agora uma ferramenta de vigilância bem estabelecida, o Registro Nacional de Doenças Crônicas Não Transmissíveis de Barbados fornece dados precisos e atualizados sobre os AVCs, as doenças cardiovasculares e cânceres entre os barbadenses. Essas informações permitirão ao setor da saúde avaliar com eficácia da carga dessas doenças sobre a população, nortear as práticas e as políticas para o melhor aproveitamento dos escassos recursos e facilitar o monitoramento e avaliação das intervenções.

                O Registro já desempenhou um papel importante na identificação de lacunas na prática clínica, informando políticas públicas de saúde e produzindo estatísticas relacionadas com incidência, mortalidade e sobrevivência.

TABELA 4. Orçamento do setor de saúde, por áreas programáticas, Barbados, anos fiscais 2009/2010 e 2010/2011

Áreas Programáticas

2009/2010 (US$)

2010/2011 (US$)

Direção e Formulação de Políticas

15.269.757

10.355.412

Atenção Primária à Saúde

16.066.613

15.573.749

Serviços hospitalares

98.543.755

92.923.602

Atendimento de pessoas com deficiência

1.712.970

1.664.656

Medicamentos (Serviço de Medicamentos de Barbados)

21.821.223

20.502.185

Atendimento ao idoso

20.914.249

21.284.536

Prevenção e controle do HIV/Aids

7.291.430

5.664.584

Serviços de saúde ambiental

10.428.275

9.954.984

TOTAL da alocação no setor de saúde

192.048.272

177.923.708

Fonte: Barbados, Ministério da Saúde, Estimativas de Gastos para os anos fiscais 2009/2010 e 2010/2011

TABELA 5. Fontes de financiamentos internacionais para programas de HIV/Aids, Barbados, 2008 e 2009

Agência Internacional

2008 (US$)

2009 (US$)

Áreas de apoio

Iniciativa Clinton para HIV/Aids

10.000

16.733,40

Prevenção; populações-chave com maior risco.

Departamento de Desenvolvimento Internacional, Reino Unido.

14.205

20.893,50

Prevenção; populações-chave com maior risco.

OPAS/OMS

69.410,43

Prevenção; populações-chave com maior risco.

UNAIDS

16.600

Oficina sobre Comunicação de Mudanças no Comportamento; parceiros religiosos regionais

UNICEF

194.808

84.000

Prevenção (habilidades de vida)

Banco Mundial

3.700.000

Prevenção, atendimento e apoio, tratamento, gestão, fortalecimento institucional.

Total em US$

219.013

3.907.637,30

 

Fonte: Barbados, Ministério da Saúde e Comissão Nacional de Aids, Relatório da Sessão Especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre o país, Barbados, 2010; Bridgetown: Ministério da Saúde, 2010.